GLOBO REPÓRTER – 30/05/2008
Exma. Mídia:
Assistindo a reportagem das proezas de pessoas que com sorte, saíram do nada para uma vida abastada e sabendo que são poucos no universo de pessoas existentes, me veio à mente a facilidade com que a mídia encontrou para mostrar um lado bem sucedido de uma minoria brasileira.Sabemos todos nós que a maioria vivem umas realidades diferentes, que mesmo lutando com todas as forças não conseguiram chegar lá impedidos na maior parte por injustiças e decepções sofridas. Até hoje com 47 anos de vida, nunca vi nenhum desses milhões... Receber destaque em algum canal de TV com tamanho valor ser mostrado ou reportado com tanta ênfase em um programa tradicional e famoso como o Globo Repórter, e, escrevo porque pertenço à classe desses milhões detentores de uma história diferente da mostrada com destaque em Rede Nacional em 30/05/2008. Sendo assim fica uma pergunta ainda sem resposta, porquê? Será meu mundo outro? Creio que não, pois sei que minha história, que é igual a muitas que existem e representa muito para mim, não seja de interesse das grandes reportagens ou até mesmo de opiniões defendidas por “valores” detentoras e patenteadas por grandes conglomerados de comunicação que com reportagens como a divulgada sexta-feira à noite na mídia, se abastece e ao mesmo tempo se sustenta na publicidade de incentivo do consumismo desenfreado seja o produto qual for, alimentando a ilusão e fantasia das pessoas, sendo assim catastrófico para a sociedade no despertamento da busca e cobiça... Sem precedentes daquilo que muitas vezes não se pode alcançar. Escrevo não como um desabafo, mas uma opinião de um cidadão brasileiro que como tantos outros tem uma opinião a ser defendida, mesmo assistindo, outras opiniões formadas e defendidas com unhas e dentes.
Obrigado.
sábado, 31 de maio de 2008
terça-feira, 27 de maio de 2008
Correio Braziliense MEIO AMBIENTE
Greenpeace realiza protesto
Ativistas do Greenpeace realizaram um protesto ontem para cobrar do governo brasileiro maior apoio à criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul. Uma baleia inflável de 15 metros de comprimento foi colocada em frente ao Palácio do Planalto. A ação marcou a entrega de uma petição com mais de 12 mil assinaturas a um representante da Presidência da República. Em 1999, o governo brasileiro propôs a criação do santuário, mas a idéia não saiu do papel.
Correio Braziliense MEIO AMBIENTE
Com a Amazônia, não tem negócio
Lula manda um duro recado aos estrangeiros interessados em fatiar ou controlar a região. Alerta que é necessário combater o desmatamento, mas destaca a importância do desenvolvimento do Norte do país
Ricardo Miranda e Leonel Rocha
Rio e Brasília — Na véspera de dar posse ao novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que assume o cargo hoje no lugar de Marina Silva, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou ontem o mais duro recado aos chefes de Estado, estudiosos e ambientalistas que defendem uma gestão compartilhada das florestas tropicais do planeta: “O mundo precisa entender que a Amazônia brasileira tem dono”, afirmou. “O dono da Amazônia é o povo brasileiro, são os índios, os seringueiros, os pescadores. E nós, que somos brasileiros, temos consciência de que é preciso diminuir o desmatamento, as queimadas, mas também temos a consciência de que é preciso desenvolver a Amazônia”, disse Lula, muito aplaudido, ao discursar na abertura 20º Fórum Nacional do Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Centro do Rio.
No evento com a presença de cientistas e diplomatas de vários países — entre eles os professores Edmund Phelps, Prêmio Nobel de economia de 2006, e Albert Fishlow, da Universidade de Columbia, além do jornalista Roger Cohen, colunista do New York Times — Lula afirmou que não permitirá a segregação das 25 milhões de pessoas dos nove estados amazônicos. Segundo o presidente, essa população não pode ser impedida de aproveitar o desenvolvimento econômico que beneficia o restante do país. “É muito engraçado que os países responsáveis por 70% da poluição do planeta agora fiquem de olho na Amazônia como se fosse apenas nossa a responsabilidade pelo que eles mesmos não fizeram todo o século passado”, afirmou o presidente.
Diante do embaixador do Japão no Brasil, Ken Shimanouchi, Lula disse o “o protocolo de Kyoto já faliu”, e criticou países que nunca referendaram esse acordo internacional para reduzir as emissões de gases poluentes. Lula não citou diretamente os Estados Unidos, país que se recusou a assinar o protocolo. O presidente acusou os países desenvolvidos de terem “preconceitos arraigados” e de montarem “lobbies fortíssimos” contra os biocombustíveis. “O Brasil não se assusta com campanhas orquestradas”, garantiu Lula. Ele também informou que viajará na próxima semana para Roma onde participará da conferência da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). O tema principal será a polêmica entre produção de alimentos e de bioenergia.
O presidente lamentou a política protecionista dos Estados Unidos e da Europa contra produtos brasileiros, verdadeira responsável, segundo ele, pelo aumento global do preço dos alimentos — e não a nova matriz energética renovável. Segundo assessores, Lula está particularmente irritado com reportagem do New York Times, publicada na semana passada, em que o periódico pergunta: “De quem é esta floresta amazônica, afinal?”. No texto, o jornal diz que “um coro de líderes internacionais está declarando mais abertamente a Amazônia como parte de um patrimônio muito maior do que apenas das nações que dividem o seu território”.
Etanol
Também recentemente, o economista americano Paul Krugmann, em um artigo no mesmo NYT, chamou o etanol de “demônio” e listou o combustível como uma das causas da alta dos preços dos alimentos. “Não é correto afirmar que vamos prejudicar o cultivo dos alimentos. O etanol pode diminuir a crise energética e a poluição. O mundo pode e deve assinar um pacto global pelo uso de fontes alternativas de energia”, defendeu o presidente.
A pedido do novo ministro Carlos Minc, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) decidiu suspender a divulgação que faria ontem, em São José dos Campos (SP), das análises do sistema de alerta do desmatamento Deter para o mês de abril de 2008. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, a divulgação foi suspensa até que seja acertado com o novo ministro do Meio Ambiente um novo esquema de apresentação dos dados sobre desmatamento.
A mudança na divulgação evitaria um constrangimento para o novo ministro, já que no dia da posse dele a notícia seria o aumento do desmatamento na Amazônia legal registrado pelo instituto. O Palácio do Planalto confirmou a posse do novo ministro para hoje às 15h, com transmissão de cargo às 18h na sede da Agência Nacional de Águas (ANA).
Desafios
O maior desafio de Minc será a regularização fundiária nos nove estados que formam a Amazônia Legal. A opinião é consenso entre os dirigentes das maiores organizações não-governamentais (ONGs) ambientalistas e os militantes “verdes” independentes, além dos atuais assessores do próprio governo. “O novo ministro precisará de muito fôlego para poder negociar a regularização fundiária dentro do próprio governo e com os institutos de terra dos estados da região”, disse Paulo Barreto, pesquisador sênior do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).
Segundo dados do Imazon, existem 42 milhões de hectares de terras públicas ocupadas por posseiros sem documentação e que precisam ser regularizadas. Essas áreas, segundo a instituição, são o foco das maiores queimadas e de outros graves crimes ambientais na Amazônia. Para poder regularizar essas regiões, será preciso uma negociação do Ministério do Meio Ambiente com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), instituição responsável pelas chamadas terras devolutas da União. “Acabar com as queimadas e o trabalho escravo na Amazônia é o desafio mais urgente para o novo ministro”, disse o biólogo Mário Mantovanni, dirigente da SOS Mata Atlântica.
Mas os desafios de Minc não param aí. Ele será cobrado pelos ambientalistas do Congresso para implantar a chamada agenda marrom, que consiste na construção da rede de saneamento básico nas principais cidades brasileiras. Esse tipo de poluição é considerada a maior causa de contaminação de rios, lagos, lagoas e outros mananciais. “Cuidar da Amazônia é estratégico para o Brasil porque a floresta não é somente o estoque de biodiversidade, mas uma das maiores causas de poluição por causa das queimadas”, comentou o deputado Sarney Filho (PV-MA), presidente da Frente Parlamentar Ambientalista da Câmara.
“Carlos Minc tem vários desafios: impedir o desmatamento, o trabalho escravo e fazer a regularização fundiária na Amazônia”
Mário Mantovanni, dirigente da SOS Mata Atlântica
“O ministro terá que identificar quem são os donos da terra na Amazônia, além da União, para poder fazer a regularização fundiária. Além disso, terá que acabar com a impunidade na Amazônia”
Paulo Barreto, pesquisador sênior do Imazon
Os desafios de Minc
1 - Regularização fundiária nos nove estados da Amazônia Legal. Existem mais de 24 milhões de hectares de terras públicas na região, boa parte delas ocupada por posseiros sem documentação. É nesse espaço onde acontecem as maiores queimadas para a abertura de novos pastos
2 - Redução das áreas queimadas na Amazônia e em outras regiões do país
3 - Definição de ações da chamada “agenda marrom”, que trata de medidas de despoluição das cidades, com implantação de estações de tratamento dos esgotos caseiros, considerados os maiores poluidores de rios, lagos e outros mananciais de água doce do país
4 - Programa de reciclagem do lixo urbano, hoje considerado um dos maiores problemas de contaminação
5 - Modificações de leis para a antecipação do prazo para que as indústrias de automóveis e de refino de petróleo passem a produzir combustíveis com menor emissão de partículas de enxofre e chumbo, exigência de protocolos internacionais
Folha de São Paulo País deve usar petróleo para se industrializar, diz Lula
Para ele, descoberta no pré-sal não deve servir apenas para agigantar Petrobras. Industrialização do país consolidaria um modelo de desenvolvimento baseado numa indústria nacional forte, afirma o pres
PEDRO SOARES - DA SUCURSAL DO RIO
Num discurso pontuado pela defesa da indústria naval brasileira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o país tem de aproveitar as descobertas de petróleo na camada pré-sal para se "industrializar", e não apenas para converter a Petrobras numa "grande exportadora de petróleo".
"Eu não quero que a Petrobras, porque descobriu o pré-sal, vire apenas uma grande exportadora de petróleo, não. Vamos exportar, mas não quero que o presidente do Brasil coloque aquele pano na cabeça como se fosse um xeique do petróleo, não. Eu quero que a gente aproveite esse petróleo para industrializar este país, para consolidar um modelo de desenvolvimento baseado numa indústria nacional forte", disse Lula.
O presidente ressaltou também o papel da estatal como instrumento de política industrial. "É preciso ter consciência de que uma empresa como a Petrobras não pode existir apenas para ser a sexta maior empresa do mundo, a terceira maior empresa das Américas [em valor de mercado]. Ela existe também para ser alavancadora do desenvolvimento deste país e a geradora de oportunidades para outros setores da sociedade."
Para o presidente, a Petrobras não pode se pautar exclusivamente por decisões empresariais -ainda que perca, no curto prazo, com tal posição.
"Se a gente deixasse a nossa querida Petrobras trabalhar apenas pela cabeça empresarial, se ela apenas pensasse em perdas e ganhos de curto prazo, obviamente que ficaria mais fácil para a Petrobras comprar lá fora. Isso é verdade, mas a visão não pode ser apenas a de curto prazo."
Encomendas nacionais
Mesmo mais caras, o presidente ressaltou a importância das encomendas da estatal à indústria nacional como forma de irradiar o crescimento a outros setores -foi o governo Lula que introduziu, em 2003, regras de conteúdo nacional mínimo (inicialmente de 60%) nas licitações da companhia.
"A imbecilidade chega a tal ponto que as pessoas não se lembram que se a gente investir vai contratar trabalhadores, que vão ganhar um salário, que vão virar consumidores, que vão cuidar da família. Portanto, vão gerar emprego no comércio, que vai gerar trabalho na fábrica, que vai ter mais um trabalhador, que vai ter mais um consumidor."
"Homens produtivos"
Segundo Lula, desse modo se constrói "uma nação de homens produtivos", mesmo que à custa de despesas maiores nas encomendas da Petrobras. "É mais fácil ir à Correia, a Cingapura, à Noruega e comprar um navio pronto. Dá menos trabalho. Não tem nenhum problema. Quem sabe saísse um pouco mais baratinho do que construir aqui."
A uma platéia de trabalhadores e executivos da indústria naval e políticos, o presidente afirmou que, "nas duas últimas décadas, se vendeu a idéia de que nós não precisaríamos produzir nada" -pensamento responsável pelo sucateamento do setor naval. "Era mais fácil a política do prato feito: comprar tudo pronto."
Tal política, disse Lula, empurrou "um exército de adolescentes" sem oportunidades para a criminalidade. "É esse o papel que o Estado brasileiro tem de jogar [o de indutor do crescimento] porque, se não for o orgulho de vocês estarem de macacão cuidando dos filhos de vocês, o crime organizado está aí à espera dos deserdados deste país."
Folha de São Paulo Estatal encomenda 230 navios para a indústria nacional nos próximos 10 anos
DA SUCURSAL DO RIO
A Petrobras vai encomendar prioritariamente à indústria nacional 230 embarcações nos próximos dez anos, na maior contratação desse tipo já feita no país.
Por meio de licitação, a estatal contratará 146 barcos de apoio à exploração e produção marítima de petróleo até 2014, que, após, a construção serão alugados pela Petrobras. A encomenda demanda investimentos de US$ 5 bilhões. Nos editais, haverá a exigência de conteúdo nacional (peças e equipamentos) de 80%.
O mesmo modelo será adotado para o afretamento de 40 sonda de perfuração, que estarão em operação até 2017. Nesse caso, porém, a indústria nacional não terá condições de atender a toda encomenda -o país nunca produziu sondas.
"Mas haverá uma prioridade para a indústria naval brasileira. Vamos testar o mercado e faremos o que for possível fazer no Brasil", afirmou José Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras.
Segundo o executivo, a prioridade é fechar o contrato das primeiras sondas no próximo ano para atender às necessidades de perfuração na camada pré-sal -mais nova e promissora província petrolífera do país.
Gabrielli afirmou que o mercado de sondas está superaquecido e há falta de equipamentos no mercado.
Diante desse cenário, disse, o custo também explodiu: o aluguel chega a US$ 600 mil a diária. Por todos esses motivos, a companhia optou por licitar 40 unidades.
A estatal lançará ainda a segunda fase do programa de renovação de frota de petroleiros. Serão encomendados 44 ao todo -23 para a frota própria da companhia, 19 a serem alugados e 2 superpetroleiros também destinados ao afretamento.
A Petrobras não divulga os valores estimados das sondas e dos petroleiros para não induzir os preços nas licitações, que já estão em curso.
Folha de São Paulo Presidente critica cobrança externa sobre a Amazônia
DA SUCURSAL DO RIO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem, no Rio, que "o mundo precisa entender que a Amazônia brasileira tem dono e que o dono é o povo brasileiro". Lula aproveitou o discurso de abertura do 20º Fórum Nacional, na sede do BNDES, no centro do Rio, para responder às cobranças internacionais para que o governo consiga deter o desmatamento nas regiões Norte e Centro-Oeste.
"É muito engraçado que os países que são responsáveis por 70% da poluição do planeta agora fiquem de olhos na Amazônia da América do Sul. Como se fôssemos responsáveis por fazer aquilo que eles não fizeram durante todo o século passado. O mundo precisa entender que a Amazônia brasileira tem dono."
Lula disse também que a preocupação com a preservação da floresta não pode impedir o desenvolvimento da região. Para ele, a população amazônica corre o risco de ser "segregada" se não houver condições para o desenvolvimento: "Afinal de contas, moram lá quase 25 milhões de habitantes, que querem ter acesso aos bens que nós temos aqui no Rio, em São Paulo. Por que essas pessoas têm que ficar segregadas?"
É o mesmo discurso adotado pelo ministro Roberto Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos). A nomeação de Mangabeira como coordenador do PAS (Plano Amazônia Sustentável) é apontada como um dos motivos da saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente. O país tem sido alvo de críticas de ambientalistas após o pedido de demissão dela.
Na platéia do fórum, estava o colunista do jornal "The New York Times" Roger Cohen. No domingo retrasado, o jornal americano publicou uma reportagem intitulada "De quem é esta floresta amazônica, afinal?" Segundo o texto, algumas lideranças mundiais têm afirmado que a Amazônia é um patrimônio mundial- e não apenas dos países que dividem o seu território.
No discurso, Lula também criticou a cobertura da imprensa sobre a Unasul (União das Nações Sul-Americanas de Nações), órgão criado oficialmente na última sexta-feira, em Brasília. Ele disse que a Unasul será o primeiro passo para uma integração continental semelhante à ocorrida na Europa. "Trabalhamos na América do Sul com a possibilidade de que as novas gerações possam criar uma moeda única."
(JANAINA LAGE e ROBERTO MACHADO)
Greenpeace realiza protesto
Ativistas do Greenpeace realizaram um protesto ontem para cobrar do governo brasileiro maior apoio à criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul. Uma baleia inflável de 15 metros de comprimento foi colocada em frente ao Palácio do Planalto. A ação marcou a entrega de uma petição com mais de 12 mil assinaturas a um representante da Presidência da República. Em 1999, o governo brasileiro propôs a criação do santuário, mas a idéia não saiu do papel.
Correio Braziliense MEIO AMBIENTE
Com a Amazônia, não tem negócio
Lula manda um duro recado aos estrangeiros interessados em fatiar ou controlar a região. Alerta que é necessário combater o desmatamento, mas destaca a importância do desenvolvimento do Norte do país
Ricardo Miranda e Leonel Rocha
Rio e Brasília — Na véspera de dar posse ao novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que assume o cargo hoje no lugar de Marina Silva, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou ontem o mais duro recado aos chefes de Estado, estudiosos e ambientalistas que defendem uma gestão compartilhada das florestas tropicais do planeta: “O mundo precisa entender que a Amazônia brasileira tem dono”, afirmou. “O dono da Amazônia é o povo brasileiro, são os índios, os seringueiros, os pescadores. E nós, que somos brasileiros, temos consciência de que é preciso diminuir o desmatamento, as queimadas, mas também temos a consciência de que é preciso desenvolver a Amazônia”, disse Lula, muito aplaudido, ao discursar na abertura 20º Fórum Nacional do Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae), na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Centro do Rio.
No evento com a presença de cientistas e diplomatas de vários países — entre eles os professores Edmund Phelps, Prêmio Nobel de economia de 2006, e Albert Fishlow, da Universidade de Columbia, além do jornalista Roger Cohen, colunista do New York Times — Lula afirmou que não permitirá a segregação das 25 milhões de pessoas dos nove estados amazônicos. Segundo o presidente, essa população não pode ser impedida de aproveitar o desenvolvimento econômico que beneficia o restante do país. “É muito engraçado que os países responsáveis por 70% da poluição do planeta agora fiquem de olho na Amazônia como se fosse apenas nossa a responsabilidade pelo que eles mesmos não fizeram todo o século passado”, afirmou o presidente.
Diante do embaixador do Japão no Brasil, Ken Shimanouchi, Lula disse o “o protocolo de Kyoto já faliu”, e criticou países que nunca referendaram esse acordo internacional para reduzir as emissões de gases poluentes. Lula não citou diretamente os Estados Unidos, país que se recusou a assinar o protocolo. O presidente acusou os países desenvolvidos de terem “preconceitos arraigados” e de montarem “lobbies fortíssimos” contra os biocombustíveis. “O Brasil não se assusta com campanhas orquestradas”, garantiu Lula. Ele também informou que viajará na próxima semana para Roma onde participará da conferência da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). O tema principal será a polêmica entre produção de alimentos e de bioenergia.
O presidente lamentou a política protecionista dos Estados Unidos e da Europa contra produtos brasileiros, verdadeira responsável, segundo ele, pelo aumento global do preço dos alimentos — e não a nova matriz energética renovável. Segundo assessores, Lula está particularmente irritado com reportagem do New York Times, publicada na semana passada, em que o periódico pergunta: “De quem é esta floresta amazônica, afinal?”. No texto, o jornal diz que “um coro de líderes internacionais está declarando mais abertamente a Amazônia como parte de um patrimônio muito maior do que apenas das nações que dividem o seu território”.
Etanol
Também recentemente, o economista americano Paul Krugmann, em um artigo no mesmo NYT, chamou o etanol de “demônio” e listou o combustível como uma das causas da alta dos preços dos alimentos. “Não é correto afirmar que vamos prejudicar o cultivo dos alimentos. O etanol pode diminuir a crise energética e a poluição. O mundo pode e deve assinar um pacto global pelo uso de fontes alternativas de energia”, defendeu o presidente.
A pedido do novo ministro Carlos Minc, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) decidiu suspender a divulgação que faria ontem, em São José dos Campos (SP), das análises do sistema de alerta do desmatamento Deter para o mês de abril de 2008. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, a divulgação foi suspensa até que seja acertado com o novo ministro do Meio Ambiente um novo esquema de apresentação dos dados sobre desmatamento.
A mudança na divulgação evitaria um constrangimento para o novo ministro, já que no dia da posse dele a notícia seria o aumento do desmatamento na Amazônia legal registrado pelo instituto. O Palácio do Planalto confirmou a posse do novo ministro para hoje às 15h, com transmissão de cargo às 18h na sede da Agência Nacional de Águas (ANA).
Desafios
O maior desafio de Minc será a regularização fundiária nos nove estados que formam a Amazônia Legal. A opinião é consenso entre os dirigentes das maiores organizações não-governamentais (ONGs) ambientalistas e os militantes “verdes” independentes, além dos atuais assessores do próprio governo. “O novo ministro precisará de muito fôlego para poder negociar a regularização fundiária dentro do próprio governo e com os institutos de terra dos estados da região”, disse Paulo Barreto, pesquisador sênior do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).
Segundo dados do Imazon, existem 42 milhões de hectares de terras públicas ocupadas por posseiros sem documentação e que precisam ser regularizadas. Essas áreas, segundo a instituição, são o foco das maiores queimadas e de outros graves crimes ambientais na Amazônia. Para poder regularizar essas regiões, será preciso uma negociação do Ministério do Meio Ambiente com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), instituição responsável pelas chamadas terras devolutas da União. “Acabar com as queimadas e o trabalho escravo na Amazônia é o desafio mais urgente para o novo ministro”, disse o biólogo Mário Mantovanni, dirigente da SOS Mata Atlântica.
Mas os desafios de Minc não param aí. Ele será cobrado pelos ambientalistas do Congresso para implantar a chamada agenda marrom, que consiste na construção da rede de saneamento básico nas principais cidades brasileiras. Esse tipo de poluição é considerada a maior causa de contaminação de rios, lagos, lagoas e outros mananciais. “Cuidar da Amazônia é estratégico para o Brasil porque a floresta não é somente o estoque de biodiversidade, mas uma das maiores causas de poluição por causa das queimadas”, comentou o deputado Sarney Filho (PV-MA), presidente da Frente Parlamentar Ambientalista da Câmara.
“Carlos Minc tem vários desafios: impedir o desmatamento, o trabalho escravo e fazer a regularização fundiária na Amazônia”
Mário Mantovanni, dirigente da SOS Mata Atlântica
“O ministro terá que identificar quem são os donos da terra na Amazônia, além da União, para poder fazer a regularização fundiária. Além disso, terá que acabar com a impunidade na Amazônia”
Paulo Barreto, pesquisador sênior do Imazon
Os desafios de Minc
1 - Regularização fundiária nos nove estados da Amazônia Legal. Existem mais de 24 milhões de hectares de terras públicas na região, boa parte delas ocupada por posseiros sem documentação. É nesse espaço onde acontecem as maiores queimadas para a abertura de novos pastos
2 - Redução das áreas queimadas na Amazônia e em outras regiões do país
3 - Definição de ações da chamada “agenda marrom”, que trata de medidas de despoluição das cidades, com implantação de estações de tratamento dos esgotos caseiros, considerados os maiores poluidores de rios, lagos e outros mananciais de água doce do país
4 - Programa de reciclagem do lixo urbano, hoje considerado um dos maiores problemas de contaminação
5 - Modificações de leis para a antecipação do prazo para que as indústrias de automóveis e de refino de petróleo passem a produzir combustíveis com menor emissão de partículas de enxofre e chumbo, exigência de protocolos internacionais
Folha de São Paulo País deve usar petróleo para se industrializar, diz Lula
Para ele, descoberta no pré-sal não deve servir apenas para agigantar Petrobras. Industrialização do país consolidaria um modelo de desenvolvimento baseado numa indústria nacional forte, afirma o pres
PEDRO SOARES - DA SUCURSAL DO RIO
Num discurso pontuado pela defesa da indústria naval brasileira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o país tem de aproveitar as descobertas de petróleo na camada pré-sal para se "industrializar", e não apenas para converter a Petrobras numa "grande exportadora de petróleo".
"Eu não quero que a Petrobras, porque descobriu o pré-sal, vire apenas uma grande exportadora de petróleo, não. Vamos exportar, mas não quero que o presidente do Brasil coloque aquele pano na cabeça como se fosse um xeique do petróleo, não. Eu quero que a gente aproveite esse petróleo para industrializar este país, para consolidar um modelo de desenvolvimento baseado numa indústria nacional forte", disse Lula.
O presidente ressaltou também o papel da estatal como instrumento de política industrial. "É preciso ter consciência de que uma empresa como a Petrobras não pode existir apenas para ser a sexta maior empresa do mundo, a terceira maior empresa das Américas [em valor de mercado]. Ela existe também para ser alavancadora do desenvolvimento deste país e a geradora de oportunidades para outros setores da sociedade."
Para o presidente, a Petrobras não pode se pautar exclusivamente por decisões empresariais -ainda que perca, no curto prazo, com tal posição.
"Se a gente deixasse a nossa querida Petrobras trabalhar apenas pela cabeça empresarial, se ela apenas pensasse em perdas e ganhos de curto prazo, obviamente que ficaria mais fácil para a Petrobras comprar lá fora. Isso é verdade, mas a visão não pode ser apenas a de curto prazo."
Encomendas nacionais
Mesmo mais caras, o presidente ressaltou a importância das encomendas da estatal à indústria nacional como forma de irradiar o crescimento a outros setores -foi o governo Lula que introduziu, em 2003, regras de conteúdo nacional mínimo (inicialmente de 60%) nas licitações da companhia.
"A imbecilidade chega a tal ponto que as pessoas não se lembram que se a gente investir vai contratar trabalhadores, que vão ganhar um salário, que vão virar consumidores, que vão cuidar da família. Portanto, vão gerar emprego no comércio, que vai gerar trabalho na fábrica, que vai ter mais um trabalhador, que vai ter mais um consumidor."
"Homens produtivos"
Segundo Lula, desse modo se constrói "uma nação de homens produtivos", mesmo que à custa de despesas maiores nas encomendas da Petrobras. "É mais fácil ir à Correia, a Cingapura, à Noruega e comprar um navio pronto. Dá menos trabalho. Não tem nenhum problema. Quem sabe saísse um pouco mais baratinho do que construir aqui."
A uma platéia de trabalhadores e executivos da indústria naval e políticos, o presidente afirmou que, "nas duas últimas décadas, se vendeu a idéia de que nós não precisaríamos produzir nada" -pensamento responsável pelo sucateamento do setor naval. "Era mais fácil a política do prato feito: comprar tudo pronto."
Tal política, disse Lula, empurrou "um exército de adolescentes" sem oportunidades para a criminalidade. "É esse o papel que o Estado brasileiro tem de jogar [o de indutor do crescimento] porque, se não for o orgulho de vocês estarem de macacão cuidando dos filhos de vocês, o crime organizado está aí à espera dos deserdados deste país."
Folha de São Paulo Estatal encomenda 230 navios para a indústria nacional nos próximos 10 anos
DA SUCURSAL DO RIO
A Petrobras vai encomendar prioritariamente à indústria nacional 230 embarcações nos próximos dez anos, na maior contratação desse tipo já feita no país.
Por meio de licitação, a estatal contratará 146 barcos de apoio à exploração e produção marítima de petróleo até 2014, que, após, a construção serão alugados pela Petrobras. A encomenda demanda investimentos de US$ 5 bilhões. Nos editais, haverá a exigência de conteúdo nacional (peças e equipamentos) de 80%.
O mesmo modelo será adotado para o afretamento de 40 sonda de perfuração, que estarão em operação até 2017. Nesse caso, porém, a indústria nacional não terá condições de atender a toda encomenda -o país nunca produziu sondas.
"Mas haverá uma prioridade para a indústria naval brasileira. Vamos testar o mercado e faremos o que for possível fazer no Brasil", afirmou José Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras.
Segundo o executivo, a prioridade é fechar o contrato das primeiras sondas no próximo ano para atender às necessidades de perfuração na camada pré-sal -mais nova e promissora província petrolífera do país.
Gabrielli afirmou que o mercado de sondas está superaquecido e há falta de equipamentos no mercado.
Diante desse cenário, disse, o custo também explodiu: o aluguel chega a US$ 600 mil a diária. Por todos esses motivos, a companhia optou por licitar 40 unidades.
A estatal lançará ainda a segunda fase do programa de renovação de frota de petroleiros. Serão encomendados 44 ao todo -23 para a frota própria da companhia, 19 a serem alugados e 2 superpetroleiros também destinados ao afretamento.
A Petrobras não divulga os valores estimados das sondas e dos petroleiros para não induzir os preços nas licitações, que já estão em curso.
Folha de São Paulo Presidente critica cobrança externa sobre a Amazônia
DA SUCURSAL DO RIO
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem, no Rio, que "o mundo precisa entender que a Amazônia brasileira tem dono e que o dono é o povo brasileiro". Lula aproveitou o discurso de abertura do 20º Fórum Nacional, na sede do BNDES, no centro do Rio, para responder às cobranças internacionais para que o governo consiga deter o desmatamento nas regiões Norte e Centro-Oeste.
"É muito engraçado que os países que são responsáveis por 70% da poluição do planeta agora fiquem de olhos na Amazônia da América do Sul. Como se fôssemos responsáveis por fazer aquilo que eles não fizeram durante todo o século passado. O mundo precisa entender que a Amazônia brasileira tem dono."
Lula disse também que a preocupação com a preservação da floresta não pode impedir o desenvolvimento da região. Para ele, a população amazônica corre o risco de ser "segregada" se não houver condições para o desenvolvimento: "Afinal de contas, moram lá quase 25 milhões de habitantes, que querem ter acesso aos bens que nós temos aqui no Rio, em São Paulo. Por que essas pessoas têm que ficar segregadas?"
É o mesmo discurso adotado pelo ministro Roberto Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos). A nomeação de Mangabeira como coordenador do PAS (Plano Amazônia Sustentável) é apontada como um dos motivos da saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente. O país tem sido alvo de críticas de ambientalistas após o pedido de demissão dela.
Na platéia do fórum, estava o colunista do jornal "The New York Times" Roger Cohen. No domingo retrasado, o jornal americano publicou uma reportagem intitulada "De quem é esta floresta amazônica, afinal?" Segundo o texto, algumas lideranças mundiais têm afirmado que a Amazônia é um patrimônio mundial- e não apenas dos países que dividem o seu território.
No discurso, Lula também criticou a cobertura da imprensa sobre a Unasul (União das Nações Sul-Americanas de Nações), órgão criado oficialmente na última sexta-feira, em Brasília. Ele disse que a Unasul será o primeiro passo para uma integração continental semelhante à ocorrida na Europa. "Trabalhamos na América do Sul com a possibilidade de que as novas gerações possam criar uma moeda única."
(JANAINA LAGE e ROBERTO MACHADO)
domingo, 25 de maio de 2008
ECONOMIA
Ajuste pago em junho
O Ministério do Planejamento reafirmou que sairão em junho os aumentos para os servidores federais
Rio - O Ministério do Planejamento reafirmou que sairão em junho os reajustes salariais para os servidores federais. O ministro Paulo Bernardo já tinha dado a garantia, mas os servidores estavam receosos porque as prévias dos contracheques disponibilizadas na Internet ainda não estão com o aumento. Segundo o ministério, os valores reajustados constarão dos contracheques definitivos. Se não houver tempo hábil para todos os contracheques serem corrigidos, o Planejamento publicará folha suplementar.
Muitos servidores preferem a folha extra de pagamento a fim de evitar arcar com imposto maior. Isso porque, como haverá pagamento dos retroativos a 1º de março, poderá haver mudanças de faixa e o conseqüente aumento do imposto.
O governo federal prepara projeto de lei para substituir as medidas provisórias 430, que abre crédito de R$ 7,5 bilhões para o reajuste de servidores civis e militares, e 431, que regula o aumento. Segundo o Planejamento, o texto só será apresentado na semana que vem, provavelmente na segunda-feira.
O projeto terá tramitação em regime de urgência, e o acordo no Congresso é para que seja votado em uma semana. Enquanto isso, as medidas provisórias continuam valendo. Ao todo, serão beneficiados 800 mil servidores da União e 644 mil militares ativos, inativos e também pensionistas das Forças Armadas.
O Estado de São Paulo
ECONOMIA
Ações da Petrobrás caem um dia depois da euforia
Anúncio da nova descoberta na Bacia de Santos acabou frustrando o mercado financeiro por falta de detalhes sobre o volume de petróleo
Ao mesmo tempo que ganhou destaque na mídia internacional, a nova descoberta da Petrobrás na região abaixo da camada de sal, anunciada na quarta-feira, frustrou analistas do mercado financeiro. As ações da estatal despencaram ontem na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), fechando em queda de 3,7%, segundo analistas, por falta de detalhes sobre o volume encontrado. Para o Wall Street Journal, as recentes descobertas podem fazer do Brasil uma “potência petrolífera”.
A descoberta ocorreu no bloco BM-S-8, nas águas ultraprofundas da Bacia de Santos, projeto batizado pela Petrobrás de Bem-Te-Vi. Antes do anúncio, as ações da estatal já vinham subindo por conta da expectativa provocada por entrevista de executivos da portuguesa Galp, uma das sócias do projeto. O comunicado oficial, porém, não trazia nenhuma informação sobre volume ou espessura do reservatório, dados necessários para análise mais detalhada.
“A Petrobrás já anunciou diversas descobertas naquela região, mas, por enquanto, só a área de Tupi tem estimativas divulgadas. O mercado esperava que a Petrobrás pudesse informar alguma projeção de reservas na região, o que não aconteceu”, disse o analista do Banco do Brasil Investimentos, Nelson Rodrigues de Matos. A queda das ações da estatal ajudou a puxar para baixo o Ibovespa, que fechou em baixa de 1,17%.
No comunicado de quarta-feira, a Petrobrás informou que um plano de avaliação da área será entregue à Agência Nacional do Petróleo (ANP). Em reportagem publicada ontem, no entanto, o Wall Street Journal mostrou um panorama otimista das recentes descobertas na área abaixo do sal. “Com os preços do petróleo atingindo novas máximas, grandes descobertas no Brasil podem aumentar o otimismo do setor de energia de que pode entregar petróleo suficiente para acompanhar a aceleração da demanda”, diz.
Os autores do texto, John Lyons e David Luhnow, dizem que o cada nova descoberta na região aumenta a percepção de que o Brasil pode ter petróleo suficiente para participar das “grandes alianças de exportadores mundiais”. Apenas em Tupi, a Petrobrás estima ter encontrado algo entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris. Para o jornal americano, a taxa de sucesso em diferentes poços na região pode indicar que a Bacia de Santos seria um “megadepósito contíguo de petróleo”.
A Petrobrás tem 66% do bloco BM-S-8. O restante pertence à anglo-holandesa Shell (20%) e à portuguesa Galp (14%) - esta muito beneficiada pela parceria com a estatal brasileira. Anteontem, antes do anúncio de Bem-Te-Vi, o Goldman Sachs elevou novamente o preço-alvo para as ações da Galp, que subiu 3%, para 19.
Segundo o diário português Jornal de Negócios, o banco informou que “o mercado está focado nas notícias sobre a exploração de petróleo no Brasil”.
A nota da Goldman Sachs estima que Bem-Te-Vi tenha 5 bilhões de barris, mas ressalta que o maior risco para seu desempenho está no dimensionamento das reservas. “A despeito dos avanços, é impossível saber a quantidade e a qualidade do petróleo de uma reserva antes que ele comece a jorrar, o que pode levar anos”, concordam os jornalistas do Wall Street Journal.
Ajuste pago em junho
O Ministério do Planejamento reafirmou que sairão em junho os aumentos para os servidores federais
Rio - O Ministério do Planejamento reafirmou que sairão em junho os reajustes salariais para os servidores federais. O ministro Paulo Bernardo já tinha dado a garantia, mas os servidores estavam receosos porque as prévias dos contracheques disponibilizadas na Internet ainda não estão com o aumento. Segundo o ministério, os valores reajustados constarão dos contracheques definitivos. Se não houver tempo hábil para todos os contracheques serem corrigidos, o Planejamento publicará folha suplementar.
Muitos servidores preferem a folha extra de pagamento a fim de evitar arcar com imposto maior. Isso porque, como haverá pagamento dos retroativos a 1º de março, poderá haver mudanças de faixa e o conseqüente aumento do imposto.
O governo federal prepara projeto de lei para substituir as medidas provisórias 430, que abre crédito de R$ 7,5 bilhões para o reajuste de servidores civis e militares, e 431, que regula o aumento. Segundo o Planejamento, o texto só será apresentado na semana que vem, provavelmente na segunda-feira.
O projeto terá tramitação em regime de urgência, e o acordo no Congresso é para que seja votado em uma semana. Enquanto isso, as medidas provisórias continuam valendo. Ao todo, serão beneficiados 800 mil servidores da União e 644 mil militares ativos, inativos e também pensionistas das Forças Armadas.
O Estado de São Paulo
ECONOMIA
Ações da Petrobrás caem um dia depois da euforia
Anúncio da nova descoberta na Bacia de Santos acabou frustrando o mercado financeiro por falta de detalhes sobre o volume de petróleo
Ao mesmo tempo que ganhou destaque na mídia internacional, a nova descoberta da Petrobrás na região abaixo da camada de sal, anunciada na quarta-feira, frustrou analistas do mercado financeiro. As ações da estatal despencaram ontem na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), fechando em queda de 3,7%, segundo analistas, por falta de detalhes sobre o volume encontrado. Para o Wall Street Journal, as recentes descobertas podem fazer do Brasil uma “potência petrolífera”.
A descoberta ocorreu no bloco BM-S-8, nas águas ultraprofundas da Bacia de Santos, projeto batizado pela Petrobrás de Bem-Te-Vi. Antes do anúncio, as ações da estatal já vinham subindo por conta da expectativa provocada por entrevista de executivos da portuguesa Galp, uma das sócias do projeto. O comunicado oficial, porém, não trazia nenhuma informação sobre volume ou espessura do reservatório, dados necessários para análise mais detalhada.
“A Petrobrás já anunciou diversas descobertas naquela região, mas, por enquanto, só a área de Tupi tem estimativas divulgadas. O mercado esperava que a Petrobrás pudesse informar alguma projeção de reservas na região, o que não aconteceu”, disse o analista do Banco do Brasil Investimentos, Nelson Rodrigues de Matos. A queda das ações da estatal ajudou a puxar para baixo o Ibovespa, que fechou em baixa de 1,17%.
No comunicado de quarta-feira, a Petrobrás informou que um plano de avaliação da área será entregue à Agência Nacional do Petróleo (ANP). Em reportagem publicada ontem, no entanto, o Wall Street Journal mostrou um panorama otimista das recentes descobertas na área abaixo do sal. “Com os preços do petróleo atingindo novas máximas, grandes descobertas no Brasil podem aumentar o otimismo do setor de energia de que pode entregar petróleo suficiente para acompanhar a aceleração da demanda”, diz.
Os autores do texto, John Lyons e David Luhnow, dizem que o cada nova descoberta na região aumenta a percepção de que o Brasil pode ter petróleo suficiente para participar das “grandes alianças de exportadores mundiais”. Apenas em Tupi, a Petrobrás estima ter encontrado algo entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris. Para o jornal americano, a taxa de sucesso em diferentes poços na região pode indicar que a Bacia de Santos seria um “megadepósito contíguo de petróleo”.
A Petrobrás tem 66% do bloco BM-S-8. O restante pertence à anglo-holandesa Shell (20%) e à portuguesa Galp (14%) - esta muito beneficiada pela parceria com a estatal brasileira. Anteontem, antes do anúncio de Bem-Te-Vi, o Goldman Sachs elevou novamente o preço-alvo para as ações da Galp, que subiu 3%, para 19.
Segundo o diário português Jornal de Negócios, o banco informou que “o mercado está focado nas notícias sobre a exploração de petróleo no Brasil”.
A nota da Goldman Sachs estima que Bem-Te-Vi tenha 5 bilhões de barris, mas ressalta que o maior risco para seu desempenho está no dimensionamento das reservas. “A despeito dos avanços, é impossível saber a quantidade e a qualidade do petróleo de uma reserva antes que ele comece a jorrar, o que pode levar anos”, concordam os jornalistas do Wall Street Journal.
segunda-feira, 12 de maio de 2008
AMAZONAS
Corpos de mais duas vítimas de naufrágio são localizados
Pescadores localizaram ontem, no rio Solimões, mais dois corpos de passageiros do barco Comandante Sales, que naufragou no último dia 6, em Manacapuru (84 km a oeste de Manaus), elevando para 48 o número de mortos no acidente.
Estima-se que ainda haja seis pessoas desaparecidas -o número é incerto porque o barco estava em situação irregular e não havia lista de passageiros. Ontem, o Corpo de Bombeiros informou que dois supostos passageiros que eram dados como desaparecidos estão vivos e não participaram da viagem.
A Defesa Civil de Manacapuru anunciou que a polícia investiga a suspeita de que dois tripulantes do barco estejam vivos. Eles são irmãos do dono da embarcação, morto no acidente.
"É quase certo que eles não tenham morrido, mas não estariam no município por temerem represálias", disse a secretária da Ação Social do município, Marta Régis.
Segundo os bombeiros, os dois corpos localizados ontem estavam a 80 quilômetros de distância um do outro. (KÁTIA BRASIL)
Folha de São Paulo SANTA CATARINA
Bombeiros cessam buscas por padre que voou em balões
Bombeiros encerraram ontem as buscas pelo padre Adelir Antônio de Carli, 41, desaparecido desde o dia 21, após levantar vôo amarrado a balões de festa, em Paranaguá (96 km de Curitiba).
Desde então, bombeiros voluntários de Penha (120 km de Florianópolis), região onde restos de balões usados pelo padre foram encontrados, trabalharam por mais de 20 dias seguidos em busca de pistas. Cerca de 90 bombeiros cumpriram 120 horas de buscas por terra, água e ar.
Ele fez o último contato por rádio, com bombeiros, em São Francisco do Sul (SC). "O que tinha que ser feito foi feito. Não acho que podemos localizá-lo nessa região", disse o comandante das operações, Johnny Coelho. Lanchas e helicópteros da polícia e de empresários foram usados nos trabalhos.
A Marinha já havia encerrado as buscas ao padre no último dia 26. Apesar do fim das buscas, integrantes da Pastoral Rodoviária, projeto de apoio a caminhoneiros idealizado pelo padre, afirmam ainda ter esperanças de que o religioso esteja vivo. (MATHEUS PICHONELLI)
Folha de São Paulo Barco ignora risco e viaja no escuro para fugir de fiscal
Folha fez viagem semelhante a que acabou em naufrágio no domingo passado. Barco com salva-vidas rasgados e sem lista de passageiros só saiu do porto irregular quando lanchas da Marinha foram embora
KÁTIA BRASIL
Cruzar os rios da Amazônia em barcos que ligam as cidades ribeirinhas é viver sob risco de naufrágio. Imprudentes, donos das embarcações driblam a fiscalização da Marinha com conivência de passageiros. Quem ousa reclamar perde o direito de seguir viagem.
No domingo passado, um barco superlotado e em situação irregular naufragou no rio Solimões, em Manacapuru (84 km a oeste de Manaus). Até ontem à tarde, 46 corpos de vítimas haviam sido resgatados. Dez pessoas ainda estariam desaparecidas.
Para verificar as condições dessas viagens, a reportagem tomou um barco em Manaus na última quinta-feira. O destino: Manacapuru, a cidade do acidente de domingo. Sete horas rio Solimões acima separavam os municípios.
O trajeto começa no maior porto irregular do Amazonas, as escadarias da avenida Manaus Moderna. Às margens do rio Negro, camelôs, carregadores, comerciantes de passagens e pescadores dividem espaço em um ambiente poluído.
A repórter e o repórter-fotográfico compram, por R$ 15 cada um, bilhetes para o percurso na embarcação Capitão Antônio. Com dois andares em madeira, o barco é semelhante ao acidentado no Solimões, o Comandante Sales.
Com início marcado para 17h, a viagem só começou às 18h15, quando duas lanchas da Marinha finalizaram o expediente. "As baratinhas [lanchas da Marinha] estão ali, vamos esperar um pouco", disse um passageiro a Argemiro Auzier, 63, o comandante do Capitão Antônio.
Tem lista de passageiros
Dentro do barco, com capacidade para 60 pessoas, outra irregularidade é notada logo no início da viagem: não havia lista dos 22 passageiros, que se acomodavam em redes atadas aos conveses.
O mesmo ocorreu com a embarcação Comandante Sales, daí a dificuldade de precisar o número de desaparecidos até agora.
Com cinco tripulantes e um cachorro, o Capitão Antônio tem apenas um banheiro, fétido. Carregava oito toneladas de mercadorias (abaixo da capacidade máxima, de 20 toneladas) entre alimentos e materiais de construção. Os salva-vidas, fabricados em 2003, estavam vencidos, sem apitos e rasgados.
Mesmo antes de desatracar, Auzier e o dono do barco, Antônio Macena, questionaram a Folha sobre o objetivo da reportagem. Preocupados, diziam não querer "problemas com a Marinha".
O comandante, único a conceder entrevista, disse que o barco estava em situação legal. Afirmou conhecer bem "99% dos rios do Amazonas". Para ele, acidentes como o de domingo passado só ocorrem por "imprudência do comandante, bebida e problemas no motor".
Durante o percurso, os procedimentos não foram o de uma viagem regular.
No escuro
Logo que escureceu, Macena mandou apagar as luzes do barco. O repórter-fotográfico acendeu uma lâmpada no convés superior, rapidamente desligada por outro passageiro.
No breu do rio Solimões, o barco fica quase invisível aos olhos dos fiscais. Até Manacapuru, o Capitão Antônio percorreu vilas, ultrapassou dezenas de embarcações, enfrentou ondas provocadas por outros barcos, bancos de areia e remoinhos sem acender as luzes dos conveses.
A única parada foi em Iranduba (25 km de Manaus), às 21h, para compra de gás, cervejas e refrigerantes em um porto flutuante.
A maior parte dos passageiros eram parentes da autônoma Waldilene da Silva, 29, que seguiam para uma festa em Caapiranga. Com exceção de duas adolescentes no grupo de 12 pessoas, todos bebiam sem parar ao som do brega, gênero popular no Norte do país. "Conhecemos o dono do barco e nos sentimos seguros", disse Waldilene.
Por volta da 1h30, o barco atracou em Manacapuru. Não havia qualquer fiscalização da Marinha. A reportagem desceu no porto.
Nas paredes do Capitão Antônio, sem informações sobre a empresa dona do barco ou dados sobre lotação, apenas uma placa com a frase: "Deus abençoe quem entra nesse barco, proteja quem fica e leva em paz quem sai".
Folha de São Paulo Barcos de porto ilegal levam 90% dos passageiros
No centro antigo da capital amazonense, as escadarias da avenida Manaus Moderna, às margens do rio Negro, formam o maior porto ilegal do Amazonas. É o ponto de partida da viagem feita pela Folha até Manacapuru, a 84 km dali. Estima-se que mil embarcações atraquem por dia no local. Elas transportam 90% dos 180 mil passageiros que trafegam por mês pelos rios Negro e Solimões, que formam o Amazonas.
Quando o rio Negro está cheio, passageiros têm de sujar os pés na água poluída, atravessar passarelas improvisadas de madeira e balsas para acessar os barcos. Nas passarelas, o que se vê é um entra-e-sai de gente à procura de embarcações, candidatos a passageiros que se misturam a camelôs, carregadores, barqueiros e pescadores. Todos trabalhando em condições insalubres.
As passagens são vendidas nos barcos ou em bancas ao longo da chamada Feira da Banana. Os destinos são os 62 municípios amazonenses, além de cidades no Pará e em Rondônia. Em cima das balsas, camelôs vendem lanches e bebidas alcóolicas. À noite, o local vira ponto de prostituição e de tráfico de drogas.
A 50 metros do ponto clandestino, fica um porto legal, a Estação Hidroviária do Porto de Manaus, que atende somente 4.775 passageiros por mês. Como as passagens ali são mais caras, os clientes preferem as escadarias da Manaus Moderna, onde os barcos atracados não pagam taxas.
A diferença de preço das passagens nos dois portos chega a 20%. Para Coari (370 km de Manaus), por exemplo, o bilhete sai por R$ 72 no porto, contra R$ 60 nas escadarias.
"Infelizmente isso [predomínio do transporte informal] é uma realidade cultural e social", afirma Carlos Alexandre De Carli, diretor-presidente do Porto de Manaus.
Folha de São Paulo Em choque, sobrevivente não se lembra de nomes nem idade
O jovem que foi resgatado 24 horas após o naufrágio do barco Comandante Sales, no rio Solimões, em Manacapuru (AM), na madrugada do último domingo, ainda está em estado de choque. Esquece a data do nascimento, os nomes dos amigos.
A reportagem o encontrou em casa na última sexta, onde agora ele passa a maior parte do tempo.
Leandro Souza Monteiro, 22, foi achado por pescadores agarrado a uma moita de capim no rio. No momento, disse que tinha 18 anos. "Não lembro a data do meu nascimento."
O rapaz é trabalhador rural e estudou até a terceira série do ensino fundamental. Mora numa palafita na periferia. Sua mãe, Sandra Monteiro, 40, e a irmã, Alessandra, 17, chegaram a procurá-lo no IML (Instituto Médico Legal) em Manaus. Ele foi encontrado vivo na segunda.
Disse que viajava na proa do barco. "Não estava chovendo. Quando passamos no rebojo [remoinho], o barco virou. Pulei, comecei a nadar, fui parar na moita de capim. Foi minha salvação."
Monteiro afirmou que não se feriu nem foi mordido por peixes. "Fiquei agarrado ao capim. Só lembrava da minha mãe. Pedi por Deus. Tinha hora que eu não sabia o que fazer", disse ele, que não bebeu água do rio e ficou debaixo de "muito sol". "Estava muito cansado. Senti muita fome e muita sede."
O rapaz calcula que passava das 13h de segunda quando foi encontrado. "Comecei a chorar. Nunca mais vou esquecer isso, nasci de novo."
Monteiro estima que muitos passageiros morreram porque estavam em pé no convés superior. Dez pessoas ainda estão desaparecidas, segundo a Marinha. Entre elas, Sherllys Cruz, 18, que o pai, o vendedor de churrasquinho Alcemir, ainda procurava na última sexta. (KB)
Jornal do Brasil Número de mortos chega a 48
Mais dois corpos de passageiros são encontrados nas águas do Solimões
Mais dois corpos de vítimas do naufrágio ocorrido no rio Solimões (AM), no último dia 4, foram encontrados ontem. Os corpos são de um homem e uma mulher. Os corpos serão encaminhados ao Instituto Médico Legal do Amazonas, onde as famílias dos desaparecidos deverão realizar o reconhecimento. Se confirmadas as identidades dos dois corpos encontrados, cai para 5 o número de desaparecidos, e sobe para 48 o número de corpos resgatados até o momento.
Segundo José Melo, secretário estadual de Governo, três pessoas que tinham seus nomes na lista de desaparecidos não estavam na embarcação, e foram encontradas ainda com vida.
O acidente aconteceu na localidade de Lago do Pesqueiro, na cidade de Manacapuru, a 84 km a oeste de Manaus, aproximadamente 20 minutos depois que a embarcação Comandante Sales 2008 partiu de Lago, onde ocorria uma Festa do Divino. O barco tombou para um lado e foi invadido pela água.
De acordo com o coronel Roberto Rocha, da Defesa Civil estadual, as buscas devem continuar até terça-feira.
Na última quinta-feira, o delegado Antônio Rodrigues, responsável pelo caso, confirmou que há indícios de que o acidente tenha sido causado por excesso de pessoas na embarcação.
– Há pessoas que disseram ter até 150 passageiros – afirmou.
A capacidade do Comandante Sales, um barco de madeira com dois andares e cerca de 20 metros de comprimento, era de 50 pessoas. A embarcação não estava regularizada na Capitania dos Portos.
Segundo ele, todos os sobreviventes relatam superlotação no barco.
O Estado de São Paulo Liberada rodovia bloqueada pelos índios em RR
PF obedece a decisão do Supremo e desmonta barreira feita por grupo que exige a expulsão dos arrozeiros
Loide Gomes
A Polícia Federal liberou ontem a Rodovia RR-319, na terra indígena Raposa Serra do Sol, a 105 quilômetros de Boa Vista, que estava bloqueada desde segunda-feira por indígenas que exigem a expulsão dos arrozeiros da reserva. A ação da PF atendeu a uma determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto ao Ministério da Justiça.
O procurador-geral de Roraima, Luciano Queiroz, disse que entrou com ação no STF, em nome do Estado, sábado. “E o ministro despachou às 21 horas, de sua casa, em Brasília.” Britto é relator das ações no STF que contestam a homologação da Raposa Serra do Sol em área contínua, o que obrigaria à retirada de todos os não-índios. O governo de Roraima quer a reserva em ilhas, com preservação das fazendas de arroz.
No momento em que a PF cumpria a determinação do STF, o juiz Helder Girão Barreto, da Justiça Federal de Roraima, ordenou a liberação da rodovia, conhecida como Transarrozeira. Ele concedeu liminar em ação ajuizada pelo arrozeiro Ivo Barilli, dono da Fazenda Tatu, que fica a 25 quilômetros da barreira e estava isolada.
Barilli não podia transportar de insumos e sementes para a fazenda nem retirar sacas de arroz. Ele tinha cinco carretas paradas na rodovia e calculava que 2.500 sacas de arroz já tinham sido perdidas. Ontem à noite mesmo o arrozeiro conseguiu entrar na fazenda e as carretas foram para Boa Vista.
À tarde, o superintendente da PF, José Maria Fonseca, já fora até a barreira para negociar. Segundo Fonseca, os índios exigiram mais policiamento para evitar tráfego de pessoas armadas e “disseram que há pessoas transitando com carabinas, em caminhonetes.” Ele informou que vai reforçar o efetivo da PF num posto na área.
O procurador-geral de Roraima contou que pediu ainda ao STF que proíba novos bloqueios até a decisão definitiva sobre as ações que contestam a Serra do Sol, que deve sair em duas semanas. “Se o próprio poder estatal foi proibido de retirar não-índios da reserva, alguns índios não podem se revestir do poder de polícia, obstruir uma rodovia e impedir o direito de ir e vir em área que ainda não foi definida se é ou não terra indígena.” Queiroz disse que entrou com ação pedindo o desbloqueio depois de tentativas fracassadas de acordo com os índios.
A tensão cresceu na região durante a semana. Além da barreira, funcionários da Fazenda Depósito dispararam contra índios que tentavam ocupar uma área na terça-feira, ferindo nove deles. O dono da fazenda, Paulo César Quartiero, foi preso e levado a Brasília. Ele é prefeito de Pacaraima e líder dos arrozeiros. Sua prisão provocou protestos de índios contrários à reserva. Surumu, distrito de Pacaraima, foi um dos locais que recebeu reforço da PF e da Força Nacional de Segurança.
O Estado de São Paulo MANACAPURU – AM
Número de mortos sobe para 48
Foram encontrados ontem mais dois corpos no Rio Solimões, o que eleva para 48 o número de mortos no naufrágio do Comandante Sales 2008, que ocorreu no dia 4. O barco naufragou nas proximidades de Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus). Os corpos encontrados são de um homem e de uma mulher. Segundo informações da Marinha, a embarcação navegava irregularmente.
O Globo Navio de ajuda afunda em Mianmar
Mortos chegam a 28 mil e podem aumentar se alimentos não chegarem
RANGUN. Um barco da Cruz Vermelha que transportava arroz e água potável para as vítimas do ciclone Nargis afundou ontem, no mesmo dia em que especialistas alertavam para o risco de uma grande catástrofe humanitária em Mianmar caso as vítimas não recebessem alimentos. O número oficial de mortos alcançou 28 mil (ONGs dizem que pode chegar a 80 mil), mas, segundo autoridades humanitárias, poderia triplicar se a ajuda não chegasse logo.
O barco levava mantimentos para mais de mil pessoas e constituía o primeiro embarque da Cruz Vermelha para a área do desastre, informou a instituição. Os quatro funcionários que viajavam no barco nada sofreram.
O naufrágio é o mais recente retrocesso na distribuição de alimentos. Ainda que a ajuda internacional tenha começado a chegar lentamente, as autoridades locais proibiram a entrada de quase todos os profissionais estrangeiros. A junta militar que preside o país quer que a distribuição das doações seja feita pelo próprio governo.
O navio levava cem sacos de arroz, 1.300 galões de água potável, dez mil pastilhas para purificação de água e 30 caixas de roupas. O naufrágio ocorreu depois de um choque com um tronco. Pouca coisa se salvou.
A televisão estatal de Mianmar anunciou ontem que o número de mortos na tragédia subiu de cinco mil a 28.458, uma semana depois da passagem do ciclone pelas principais cidades do país.
A televisão estatal disse ainda que o número de desaparecidos baixou para 33.416. Para muitos especialistas em ajuda humanitária, os números poderiam aumentar consideravelmente.
- É vital que a população tenha acesso a recursos como água potável afim de evitar que ocorram mortes desnecessárias e sofrimento - afirmou a chefe regional da ONG Oxfam, Sarah Ireland. - Estão presentes todos os fatores necessários para que a situação se torne uma catástrofe de saúde pública, que poderia multiplicar o número de mortos por 15.
Corpos de mais duas vítimas de naufrágio são localizados
Pescadores localizaram ontem, no rio Solimões, mais dois corpos de passageiros do barco Comandante Sales, que naufragou no último dia 6, em Manacapuru (84 km a oeste de Manaus), elevando para 48 o número de mortos no acidente.
Estima-se que ainda haja seis pessoas desaparecidas -o número é incerto porque o barco estava em situação irregular e não havia lista de passageiros. Ontem, o Corpo de Bombeiros informou que dois supostos passageiros que eram dados como desaparecidos estão vivos e não participaram da viagem.
A Defesa Civil de Manacapuru anunciou que a polícia investiga a suspeita de que dois tripulantes do barco estejam vivos. Eles são irmãos do dono da embarcação, morto no acidente.
"É quase certo que eles não tenham morrido, mas não estariam no município por temerem represálias", disse a secretária da Ação Social do município, Marta Régis.
Segundo os bombeiros, os dois corpos localizados ontem estavam a 80 quilômetros de distância um do outro. (KÁTIA BRASIL)
Folha de São Paulo SANTA CATARINA
Bombeiros cessam buscas por padre que voou em balões
Bombeiros encerraram ontem as buscas pelo padre Adelir Antônio de Carli, 41, desaparecido desde o dia 21, após levantar vôo amarrado a balões de festa, em Paranaguá (96 km de Curitiba).
Desde então, bombeiros voluntários de Penha (120 km de Florianópolis), região onde restos de balões usados pelo padre foram encontrados, trabalharam por mais de 20 dias seguidos em busca de pistas. Cerca de 90 bombeiros cumpriram 120 horas de buscas por terra, água e ar.
Ele fez o último contato por rádio, com bombeiros, em São Francisco do Sul (SC). "O que tinha que ser feito foi feito. Não acho que podemos localizá-lo nessa região", disse o comandante das operações, Johnny Coelho. Lanchas e helicópteros da polícia e de empresários foram usados nos trabalhos.
A Marinha já havia encerrado as buscas ao padre no último dia 26. Apesar do fim das buscas, integrantes da Pastoral Rodoviária, projeto de apoio a caminhoneiros idealizado pelo padre, afirmam ainda ter esperanças de que o religioso esteja vivo. (MATHEUS PICHONELLI)
Folha de São Paulo Barco ignora risco e viaja no escuro para fugir de fiscal
Folha fez viagem semelhante a que acabou em naufrágio no domingo passado. Barco com salva-vidas rasgados e sem lista de passageiros só saiu do porto irregular quando lanchas da Marinha foram embora
KÁTIA BRASIL
Cruzar os rios da Amazônia em barcos que ligam as cidades ribeirinhas é viver sob risco de naufrágio. Imprudentes, donos das embarcações driblam a fiscalização da Marinha com conivência de passageiros. Quem ousa reclamar perde o direito de seguir viagem.
No domingo passado, um barco superlotado e em situação irregular naufragou no rio Solimões, em Manacapuru (84 km a oeste de Manaus). Até ontem à tarde, 46 corpos de vítimas haviam sido resgatados. Dez pessoas ainda estariam desaparecidas.
Para verificar as condições dessas viagens, a reportagem tomou um barco em Manaus na última quinta-feira. O destino: Manacapuru, a cidade do acidente de domingo. Sete horas rio Solimões acima separavam os municípios.
O trajeto começa no maior porto irregular do Amazonas, as escadarias da avenida Manaus Moderna. Às margens do rio Negro, camelôs, carregadores, comerciantes de passagens e pescadores dividem espaço em um ambiente poluído.
A repórter e o repórter-fotográfico compram, por R$ 15 cada um, bilhetes para o percurso na embarcação Capitão Antônio. Com dois andares em madeira, o barco é semelhante ao acidentado no Solimões, o Comandante Sales.
Com início marcado para 17h, a viagem só começou às 18h15, quando duas lanchas da Marinha finalizaram o expediente. "As baratinhas [lanchas da Marinha] estão ali, vamos esperar um pouco", disse um passageiro a Argemiro Auzier, 63, o comandante do Capitão Antônio.
Tem lista de passageiros
Dentro do barco, com capacidade para 60 pessoas, outra irregularidade é notada logo no início da viagem: não havia lista dos 22 passageiros, que se acomodavam em redes atadas aos conveses.
O mesmo ocorreu com a embarcação Comandante Sales, daí a dificuldade de precisar o número de desaparecidos até agora.
Com cinco tripulantes e um cachorro, o Capitão Antônio tem apenas um banheiro, fétido. Carregava oito toneladas de mercadorias (abaixo da capacidade máxima, de 20 toneladas) entre alimentos e materiais de construção. Os salva-vidas, fabricados em 2003, estavam vencidos, sem apitos e rasgados.
Mesmo antes de desatracar, Auzier e o dono do barco, Antônio Macena, questionaram a Folha sobre o objetivo da reportagem. Preocupados, diziam não querer "problemas com a Marinha".
O comandante, único a conceder entrevista, disse que o barco estava em situação legal. Afirmou conhecer bem "99% dos rios do Amazonas". Para ele, acidentes como o de domingo passado só ocorrem por "imprudência do comandante, bebida e problemas no motor".
Durante o percurso, os procedimentos não foram o de uma viagem regular.
No escuro
Logo que escureceu, Macena mandou apagar as luzes do barco. O repórter-fotográfico acendeu uma lâmpada no convés superior, rapidamente desligada por outro passageiro.
No breu do rio Solimões, o barco fica quase invisível aos olhos dos fiscais. Até Manacapuru, o Capitão Antônio percorreu vilas, ultrapassou dezenas de embarcações, enfrentou ondas provocadas por outros barcos, bancos de areia e remoinhos sem acender as luzes dos conveses.
A única parada foi em Iranduba (25 km de Manaus), às 21h, para compra de gás, cervejas e refrigerantes em um porto flutuante.
A maior parte dos passageiros eram parentes da autônoma Waldilene da Silva, 29, que seguiam para uma festa em Caapiranga. Com exceção de duas adolescentes no grupo de 12 pessoas, todos bebiam sem parar ao som do brega, gênero popular no Norte do país. "Conhecemos o dono do barco e nos sentimos seguros", disse Waldilene.
Por volta da 1h30, o barco atracou em Manacapuru. Não havia qualquer fiscalização da Marinha. A reportagem desceu no porto.
Nas paredes do Capitão Antônio, sem informações sobre a empresa dona do barco ou dados sobre lotação, apenas uma placa com a frase: "Deus abençoe quem entra nesse barco, proteja quem fica e leva em paz quem sai".
Folha de São Paulo Barcos de porto ilegal levam 90% dos passageiros
No centro antigo da capital amazonense, as escadarias da avenida Manaus Moderna, às margens do rio Negro, formam o maior porto ilegal do Amazonas. É o ponto de partida da viagem feita pela Folha até Manacapuru, a 84 km dali. Estima-se que mil embarcações atraquem por dia no local. Elas transportam 90% dos 180 mil passageiros que trafegam por mês pelos rios Negro e Solimões, que formam o Amazonas.
Quando o rio Negro está cheio, passageiros têm de sujar os pés na água poluída, atravessar passarelas improvisadas de madeira e balsas para acessar os barcos. Nas passarelas, o que se vê é um entra-e-sai de gente à procura de embarcações, candidatos a passageiros que se misturam a camelôs, carregadores, barqueiros e pescadores. Todos trabalhando em condições insalubres.
As passagens são vendidas nos barcos ou em bancas ao longo da chamada Feira da Banana. Os destinos são os 62 municípios amazonenses, além de cidades no Pará e em Rondônia. Em cima das balsas, camelôs vendem lanches e bebidas alcóolicas. À noite, o local vira ponto de prostituição e de tráfico de drogas.
A 50 metros do ponto clandestino, fica um porto legal, a Estação Hidroviária do Porto de Manaus, que atende somente 4.775 passageiros por mês. Como as passagens ali são mais caras, os clientes preferem as escadarias da Manaus Moderna, onde os barcos atracados não pagam taxas.
A diferença de preço das passagens nos dois portos chega a 20%. Para Coari (370 km de Manaus), por exemplo, o bilhete sai por R$ 72 no porto, contra R$ 60 nas escadarias.
"Infelizmente isso [predomínio do transporte informal] é uma realidade cultural e social", afirma Carlos Alexandre De Carli, diretor-presidente do Porto de Manaus.
Folha de São Paulo Em choque, sobrevivente não se lembra de nomes nem idade
O jovem que foi resgatado 24 horas após o naufrágio do barco Comandante Sales, no rio Solimões, em Manacapuru (AM), na madrugada do último domingo, ainda está em estado de choque. Esquece a data do nascimento, os nomes dos amigos.
A reportagem o encontrou em casa na última sexta, onde agora ele passa a maior parte do tempo.
Leandro Souza Monteiro, 22, foi achado por pescadores agarrado a uma moita de capim no rio. No momento, disse que tinha 18 anos. "Não lembro a data do meu nascimento."
O rapaz é trabalhador rural e estudou até a terceira série do ensino fundamental. Mora numa palafita na periferia. Sua mãe, Sandra Monteiro, 40, e a irmã, Alessandra, 17, chegaram a procurá-lo no IML (Instituto Médico Legal) em Manaus. Ele foi encontrado vivo na segunda.
Disse que viajava na proa do barco. "Não estava chovendo. Quando passamos no rebojo [remoinho], o barco virou. Pulei, comecei a nadar, fui parar na moita de capim. Foi minha salvação."
Monteiro afirmou que não se feriu nem foi mordido por peixes. "Fiquei agarrado ao capim. Só lembrava da minha mãe. Pedi por Deus. Tinha hora que eu não sabia o que fazer", disse ele, que não bebeu água do rio e ficou debaixo de "muito sol". "Estava muito cansado. Senti muita fome e muita sede."
O rapaz calcula que passava das 13h de segunda quando foi encontrado. "Comecei a chorar. Nunca mais vou esquecer isso, nasci de novo."
Monteiro estima que muitos passageiros morreram porque estavam em pé no convés superior. Dez pessoas ainda estão desaparecidas, segundo a Marinha. Entre elas, Sherllys Cruz, 18, que o pai, o vendedor de churrasquinho Alcemir, ainda procurava na última sexta. (KB)
Jornal do Brasil Número de mortos chega a 48
Mais dois corpos de passageiros são encontrados nas águas do Solimões
Mais dois corpos de vítimas do naufrágio ocorrido no rio Solimões (AM), no último dia 4, foram encontrados ontem. Os corpos são de um homem e uma mulher. Os corpos serão encaminhados ao Instituto Médico Legal do Amazonas, onde as famílias dos desaparecidos deverão realizar o reconhecimento. Se confirmadas as identidades dos dois corpos encontrados, cai para 5 o número de desaparecidos, e sobe para 48 o número de corpos resgatados até o momento.
Segundo José Melo, secretário estadual de Governo, três pessoas que tinham seus nomes na lista de desaparecidos não estavam na embarcação, e foram encontradas ainda com vida.
O acidente aconteceu na localidade de Lago do Pesqueiro, na cidade de Manacapuru, a 84 km a oeste de Manaus, aproximadamente 20 minutos depois que a embarcação Comandante Sales 2008 partiu de Lago, onde ocorria uma Festa do Divino. O barco tombou para um lado e foi invadido pela água.
De acordo com o coronel Roberto Rocha, da Defesa Civil estadual, as buscas devem continuar até terça-feira.
Na última quinta-feira, o delegado Antônio Rodrigues, responsável pelo caso, confirmou que há indícios de que o acidente tenha sido causado por excesso de pessoas na embarcação.
– Há pessoas que disseram ter até 150 passageiros – afirmou.
A capacidade do Comandante Sales, um barco de madeira com dois andares e cerca de 20 metros de comprimento, era de 50 pessoas. A embarcação não estava regularizada na Capitania dos Portos.
Segundo ele, todos os sobreviventes relatam superlotação no barco.
O Estado de São Paulo Liberada rodovia bloqueada pelos índios em RR
PF obedece a decisão do Supremo e desmonta barreira feita por grupo que exige a expulsão dos arrozeiros
Loide Gomes
A Polícia Federal liberou ontem a Rodovia RR-319, na terra indígena Raposa Serra do Sol, a 105 quilômetros de Boa Vista, que estava bloqueada desde segunda-feira por indígenas que exigem a expulsão dos arrozeiros da reserva. A ação da PF atendeu a uma determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto ao Ministério da Justiça.
O procurador-geral de Roraima, Luciano Queiroz, disse que entrou com ação no STF, em nome do Estado, sábado. “E o ministro despachou às 21 horas, de sua casa, em Brasília.” Britto é relator das ações no STF que contestam a homologação da Raposa Serra do Sol em área contínua, o que obrigaria à retirada de todos os não-índios. O governo de Roraima quer a reserva em ilhas, com preservação das fazendas de arroz.
No momento em que a PF cumpria a determinação do STF, o juiz Helder Girão Barreto, da Justiça Federal de Roraima, ordenou a liberação da rodovia, conhecida como Transarrozeira. Ele concedeu liminar em ação ajuizada pelo arrozeiro Ivo Barilli, dono da Fazenda Tatu, que fica a 25 quilômetros da barreira e estava isolada.
Barilli não podia transportar de insumos e sementes para a fazenda nem retirar sacas de arroz. Ele tinha cinco carretas paradas na rodovia e calculava que 2.500 sacas de arroz já tinham sido perdidas. Ontem à noite mesmo o arrozeiro conseguiu entrar na fazenda e as carretas foram para Boa Vista.
À tarde, o superintendente da PF, José Maria Fonseca, já fora até a barreira para negociar. Segundo Fonseca, os índios exigiram mais policiamento para evitar tráfego de pessoas armadas e “disseram que há pessoas transitando com carabinas, em caminhonetes.” Ele informou que vai reforçar o efetivo da PF num posto na área.
O procurador-geral de Roraima contou que pediu ainda ao STF que proíba novos bloqueios até a decisão definitiva sobre as ações que contestam a Serra do Sol, que deve sair em duas semanas. “Se o próprio poder estatal foi proibido de retirar não-índios da reserva, alguns índios não podem se revestir do poder de polícia, obstruir uma rodovia e impedir o direito de ir e vir em área que ainda não foi definida se é ou não terra indígena.” Queiroz disse que entrou com ação pedindo o desbloqueio depois de tentativas fracassadas de acordo com os índios.
A tensão cresceu na região durante a semana. Além da barreira, funcionários da Fazenda Depósito dispararam contra índios que tentavam ocupar uma área na terça-feira, ferindo nove deles. O dono da fazenda, Paulo César Quartiero, foi preso e levado a Brasília. Ele é prefeito de Pacaraima e líder dos arrozeiros. Sua prisão provocou protestos de índios contrários à reserva. Surumu, distrito de Pacaraima, foi um dos locais que recebeu reforço da PF e da Força Nacional de Segurança.
O Estado de São Paulo MANACAPURU – AM
Número de mortos sobe para 48
Foram encontrados ontem mais dois corpos no Rio Solimões, o que eleva para 48 o número de mortos no naufrágio do Comandante Sales 2008, que ocorreu no dia 4. O barco naufragou nas proximidades de Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus). Os corpos encontrados são de um homem e de uma mulher. Segundo informações da Marinha, a embarcação navegava irregularmente.
O Globo Navio de ajuda afunda em Mianmar
Mortos chegam a 28 mil e podem aumentar se alimentos não chegarem
RANGUN. Um barco da Cruz Vermelha que transportava arroz e água potável para as vítimas do ciclone Nargis afundou ontem, no mesmo dia em que especialistas alertavam para o risco de uma grande catástrofe humanitária em Mianmar caso as vítimas não recebessem alimentos. O número oficial de mortos alcançou 28 mil (ONGs dizem que pode chegar a 80 mil), mas, segundo autoridades humanitárias, poderia triplicar se a ajuda não chegasse logo.
O barco levava mantimentos para mais de mil pessoas e constituía o primeiro embarque da Cruz Vermelha para a área do desastre, informou a instituição. Os quatro funcionários que viajavam no barco nada sofreram.
O naufrágio é o mais recente retrocesso na distribuição de alimentos. Ainda que a ajuda internacional tenha começado a chegar lentamente, as autoridades locais proibiram a entrada de quase todos os profissionais estrangeiros. A junta militar que preside o país quer que a distribuição das doações seja feita pelo próprio governo.
O navio levava cem sacos de arroz, 1.300 galões de água potável, dez mil pastilhas para purificação de água e 30 caixas de roupas. O naufrágio ocorreu depois de um choque com um tronco. Pouca coisa se salvou.
A televisão estatal de Mianmar anunciou ontem que o número de mortos na tragédia subiu de cinco mil a 28.458, uma semana depois da passagem do ciclone pelas principais cidades do país.
A televisão estatal disse ainda que o número de desaparecidos baixou para 33.416. Para muitos especialistas em ajuda humanitária, os números poderiam aumentar consideravelmente.
- É vital que a população tenha acesso a recursos como água potável afim de evitar que ocorram mortes desnecessárias e sofrimento - afirmou a chefe regional da ONG Oxfam, Sarah Ireland. - Estão presentes todos os fatores necessários para que a situação se torne uma catástrofe de saúde pública, que poderia multiplicar o número de mortos por 15.
quarta-feira, 7 de maio de 2008
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